Um pouquito...

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Rio Branco, Acre, Brazil
26 anos. Taurina. Acreana com orgulho. É uma verdadeira antítese e nem sempre se incomoda com isso.

18 fevereiro, 2010

Bombons Chineses
Mian-Mian
Tradução: Wander Emediato
Geração Editorial


Seus lábios carnudos pousaram bruscamente sobre meu peito, era a primeira vez que um rapaz beijava-me os seios, e era como se ele me transformasse em uma pintura, foi bastante agradável. Quando coloquei as mãos em seus cabelos, rapidamente ele começou a tirar a minha roupa e passou a lamber os batimentos do meu coração, estava em êxtase, acariciei seus longos cabelos, como eram bonitos!

Entretanto, senti um calafrio quando ele me puxou para si. Não estava nem despida ainda quando seu sexo entrou em mim. Doeu. Com um único golpe, assim, ele me penetrou. Não fiz nenhum gesto, a dor subia direto ao coração, totalmente perplexa, era incapaz de qualquer movimento. Seus cabelos cheiravam bem, suas mechas balançavam sobre meu rosto, como se ele tivesse desdobrado e houvesse dois se agitando sobre mim, durou uma eternidade, sentia tanta dor que não conseguia sequer encontrar meu corpo.

Estava decepcionada porque ele não me lambia mais. Não ouvi mais o som de sua voz, apenas sua respiração cada vez mais ofegante, foi muito triste, algo bem ridículo. Seu corpo colou-se enfim ao meu e ele beijou meus lábios. Era a primeira vez que me beijava a boca, o canalha. Em seguida, sorriu-me, recolhendo seus lábios saciados, os olhos iluminados de doçura. Reencontrei enfim seu rosto, esse rosto que eu tinha aprendido a conhecer em um bar, tão diferente daquele que ele mostrava quando me comia.

Disse-lhe que era meu primeiro homem. Você me comeu. Com os olhos bem abertos eu o olhei me violar. Tão apressado que você não se deu nem o tempo de tirar a roupa.

Nada respondeu. Seus longos cabelos caindo sobre meus seios, ele permaneceu totalmente imóvel. Na vitrola o disco ainda girava, a voz do cantor, como as carícias que minha pele não tinha conhecido. Era um ritmo simples e repetitivo, uma música na qual o mundo tornava-se plano, não compreendia nada das palavras, mas o teclado era como um vampiro, sugava minhas emoções.

A vitrola começou a tocar The Doors. Francamente, essa trepada bárbara devia ter algo ligado à violência, era o contrário de tudo o que tinha fantasiado ao longo dos anos. Não ousei olhar seu pênis, gostava de sua pele, seus lábios eram tão macios, sua língua me fez sonhar. Não compreendi nada dessa excitação estranha sobre meu rosto, não encontrei o desejo tal como o imaginara, fora apenas um gato atormentado e silencioso em seus braços.

Tinha dezenove anos, ele me enterrou na dor, jazia sob uma matéria desconhecida, viva e brutal. Serrando meus seios, ele entrou e saiu de minha vagina sem que eu pudesse ver a expressão de meu rosto nesse momento. Ninguém se recordará da expressão que tinha quando perdi a virgindade. Não era nada, o que jorrou para fora de mim depois. Com água quente eu reconfortei minha carne ferida, o espelho disforme enviava-me traços vazios. Era um desconhecido, encontramo-nos em um bar, eu conhecia as ondas de seu olhar, não sabia quem era ele.

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