Um pouquito...

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Rio Branco, Acre, Brazil
26 anos. Taurina. Acreana com orgulho. É uma verdadeira antítese e nem sempre se incomoda com isso.

14 abril, 2020

para o dia 15 de março de 2020

Em um universo de possibilidades, eu fiquei com nada.
Eu fiquei sendo nada.
Há 04 dias me dei conta disso.
Há 04 dias minha mente só tenta entender o "por quê?".
O que eu fiz para merecer tanto?
Ou, melhor, merecer o nada.
Então eu paralisei.
Diferente de tantas e tantas vezes, eu não fiz nada.
Eu me acuei e observei.
Eu revi momentos na mente, procurei respostas, procurei algo que pudesse me fazer entender o motivo de estar vivendo tudo isso.
Por que eu estava sozinha tentando entender o motivo de tanto desprezo? descaso? silêncio? exclusão?
O que eu fiz de tão terrível que me fez merecer tal atitude?
O que eu podia ter feito para ser diferente?

E aí eu fui entendendo algo.

Procurando no passado algo que me explicasse.

Em todos o momentos bons estávamos juntos, bem, em sintonia.
Nos ruins, eu me sentia sozinha.
Quando você gritava, eu me culpava.
Quando eu questionava, eu me culpava.
Quando você se aborrecia, eu me culpava.
Quando você calava, eu me culpava.

Tanta culpa.

Tanto medo de ser a culpada de perder o meu grande amor.

Por que eu faço isso tudo?
Por que eu só não ligo?
Por que eu só não fico quieta?
Por que eu fiz ele reagir assim?
Por que eu tô vivendo isso?

E eu te buscava.

Eu estava, mesmo sofrendo, eu te abraçava, eu tentava de todas as formas te ter perto.
Sair de perto de ti, era mais sofrimento.
Quantos episódios difíceis passamos.
Brigas longas, brigas difíceis, brigas sofridas.
Eu estava tão chega em não te perder que eu me perdia.
Eu perdia a racionalidade.
Eu me diminuía para caber nos espaços que você me permitia.
Eu duvidava dos meus questionamentos e quando não duvidava, eu os sufocava, porque ter você, estar com você era maior que tudo.
E eu suportava, de alguma forma, eu suportava me encolher.

afinal, e todos os momentos bons?
Como perder tudo isso?
Como deixar uma briga, uma desconfiança, um momento ruim estragar tudo?

Como viver sem você?
Sem seu jeito curioso, sem sua graça de jovialidade, sem seus abraços, seu toque, suas mordidas no meu nariz, suas vozes, sua habilidade em me fazer feliz só por estar perto de mim?

Como viver sem tudo isso?
Como priorizar algo que não seja nós?
E tudo que compartilhamos?
E todas as conversas íntimas, doloridas, amargas, sinceras?
E todas as experiências vividas juntas?
E toda nossa história que começou de uma forma jamais imaginada ou permitida (por mim) anteriormente?

Como deixar tudo isso que a vida nos deu?
Como deixar a sorte assim?
Como perder o seu grande amor?
Pois com você eu acreditei fielmente no grande amor.

O amor que te faz ir ao limite de tudo, que te impulsiona, que te desmonta e que te ilumina.
E foi assim.
Por muito tempo.
Para mim.

A minha concepção era de que eu tinha um grande amor.
A sorte grande.
Você era o meu grande amor.
Você.
Abriu espaço na sua vida para mim,
que dádiva é essa?

Eu só enxergava você.
Eu não me enxergava muito bem.
Eu só sentia.
Eu só queria sentir.
Coisas boas ou ruins,
desde que fosse com você.

Tudo que você me oferecia, eu aceitava.
Coisas lindas, boas, felizes.
A raiva, o silêncio, o descaso, a impaciência, também.

Quantas vezes eu chorei sozinha?
Você lembra?
Meu choro deixou de te comover em muitos momentos.
Quantas vezes você chorou ou sofreu em minha presença e eu não me movi ou comovi?
Eu não me recordo.
Isso já é um claro sinal de algo errado.
As minhas dores eram menores que as suas.
Era assim que eu agia, era assim que eu lidava para não deixar esse grande amor acabar.

É. Tola, eu sei.

Não existe amor que resista a falta de amor próprio,
não tem amor que permita se anular para caber em algo ou alguém.

E eu não via tudo isso.
Eu só me desesperava e tentava melhorar, tentava arcar sozinha com tudo, de alguma forma.

Eu nunca soltei sua mão.
E quando você soltava a minha, em momentos difíceis, eu te implorava para não fazer isso.

Eu precisava acreditar na nossa história.
Eu precisava lutar pelo seu amor.

Eu tentei tanto,
tanto,
tanto.

Sozinha, te expondo, te questionando, te implorando que falasse, que me dissesse a verdade.
E há 04 dias eu me senti como nunca imaginei.
Perdida,
sozinha,
excluída.
Excluída.
Excluída.

Do seu dia, da sua vida, do seu coração, de tudo.
Eu não sei dimensionar o que tudo aquilo representou e ainda representa.
Todo desprezo e silêncio.
Mas eu comecei a entender, de alguma forma, que eu não merecia nada daquilo.
Apesar de ter me colocado naquela situação, eu não merecia nada daquilo e cabia só a mim me proteger, me acolher, me entender e me amar.

Eu não posso ter medo de perder um amor que não tem medo de me perder.
Eu não posso ir atrás de alguém que me exclui de uma forma tão leviana e tão facilmente.
Eu não posso entender os motivos e, assim, tentar justificar o que aconteceu se eu só tenho o desprezo.
Eu não posso seguir uma vida com receio do que virá.
Você me magoou tão facilmente e profundamente.
Você desprezou todo o meu amor, presença, parceria, meus sofrimentos, minhas angústias
e seguiu sua vida.

Há 04 dias eu entendi que não existe um grande amor que não te olha, te protege, te procura.
Você sequer preservou a nossa história,
sequer foi honesto com tudo que vivemos,
com tantos momentos.

Por isso estou aqui, dizendo tudo isso,
pra te mostrar que eu te amei tanto,
com todos os meus erros,
 acertos,
com todo meu coração,
com cada parte do meu corpo,
com cada entusiasmo,
nos momentos bons e ruins,
na certeza e incerteza.

E te amar não é suficiente,
não mais.

E perceber isso me dói de uma forma que não explica em palavras.
A única coisa que fica é a certeza de que eu não merecia isso.

E essa certeza vai me fazer seguir.


De Jéssica para o seu ex-grande amor.



30 junho, 2016

Tudo o que você precisa saber

F.,
você não sabe ainda, mas eu gosto de escrever.
Mais do que gostar, é uma necessidade. 
Essa é a forma mais honesta que eu encontro de expressar o que sinto. 
Assim, neste meio, eu consigo ter lucidez.
 Esta é a primeira vez que escrevo para você ou até mesmo sobre você. 
Acredite, isto tem algum significado.
Talvez eu esteja escrevendo agora para tentar entender o que isto significa, espero que ao final de tantos rabiscos, eu finalmente saiba ou encontre algum significado.
A primeira coisa que me vem a mente agora é o quanto eu gosto do que somos juntos.
Acho que eu definiria em uma palavra: cúmplices.
Parecemos duas pessoas que se encontraram para trocar energia boa, para conversar sobre a vida, para aproveitar um dos maiores prazeres que a humanidade conhece. 
Que bom seria se esta troca de energia não acabasse ou não mudasse em momento algum.
Como seres humanos que somos, sabíamos que em algum momento isto ia ficar complicado.
No último domingo, tivemos um dos dias mais controversos destes dois meses em que estamos, como posso dizer, em sintonia.
Você me magoou, eu me deixei magoar e até agora não sei exatamente se sei lidar com tudo que aconteceu.
Neste ponto, escrevo a segunda coisa: eu gosto de você.
Não sei ainda exatamente o que isto significa.
Não se assuste.
Eu estou assustada o suficiente por nós dois.
A terceira coisa: eu sou incomum.
Não sei se você vai entender, mas se estiver achando tudo que estou escrevendo algo muito complicado e sem sentido, parabéns, você finalmente estará começando a entender o que eu realmente sou.
Sei que pareço uma pessoa leve, descontraída, às vezes até boba.
Talvez eu seja realmente tudo isto.
Mas eu vou além.
Este meu além é o que me leva a escrever.
A quarta coisa a te dizer é que eu não sei.
Simplesmente não sei.
O que eu quero, o que eu espero, o que eu faço.
Entretanto, sei bem o que não quero.
Desde pequena, eu tive receio de ser machucada pelas pessoas, principalmente pelos homens.
Apesar dos pesares, todos os homens que fazem parte da minha vida já me machucaram de alguma forma.
Meu pai, meu avô, meus tios, meu padrasto.
Todos.
Isto talvez seja normal e comum para maioria das pessoas, mas eu já te disse, não sou comum.
Estas pessoas me machucaram de diversas formas, muitas vezes até mesmo sem saber, com palavras, gestos e principalmente com a omissão.
Eu cresci assim, me sentindo machucada.
E por muito tempo eu não entendia o que isso significa ou o que significaria na minha vida.
E começaram a surgir os relacionamentos.
Aprendi na marra o significado de não saber me relacionar com o sexo oposto.
Aprendi também na marra que tudo isso fazia parte do medo de me machucar.
Em algum momento, meu eu ficou determinado a não se deixar machucar por ninguém.
Tolice.
Você já me perguntou se eu fui muito machucada nesta vida.
Talvez para uma pessoa normal eu não devesse dizer que fui.
Mas eu repito, não sou comum.
E isto não é uma coisa boa.
Eu não me arrisco.
E talvez eu finalmente saiba o motivo de todas estas palavras direcionadas a você.
Primeiro, por que eu desde o primeiro beijo escolhi ser sincera com isso que temos.
Segundo, por que esta sinceridade me leva a te dizer que não vou me arriscar.
Não vou arriscar transformar essa sintonia em rancor.
Não vou arriscar transformar o prazer em raiva.
Não vou arriscar transformar as gargalhadas em lágrimas.
Não quero despedaçar as minhas certezas em troca de ilusão.
Isso tudo é o que eu não quero.
Isso tudo é o que você precisa saber.

27 de junho de 2016, às 02:55.

02 outubro, 2015

Caos é o que existe aqui dentro. queria ao menos conseguir deixar minhas lágrimas livres. mas assim como eu, não são livres. não permito. eu as prendo por motivo algum. assim como me prendo ao que não deveria ser presa. laços invisíveis. não quero e nem posso culpar ninguém por tudo que se passa aqui dentro. da mente e do coração. 

09 maio, 2015

desculpas ao vento

Mais uma vez começo um texto sem entender qual é a real finalidade.
ultimamente tem sido assim, só escrevo por necessidade, mas sem motivos explicáveis.
claro que existem motivos. no fundo do fundo e um pouco mais fundo, sempre há motivo.
explicar, talvez, eu não consiga agora. mas vou deixando minhas mãos me guiarem.
vou extravasar meus pensamentos nessas linhas imaginárias.
sem observar a concordância, a grafia, pontuação, sem pensar, só sendo guiada.
não quero falar sobre ninguém.
é, eu parei pra pensar antes de escrever isso.
eu quero falar de alguém.
pode ser eu?
eu sirvo?
me basto?
22 anos. 
e eu ainda sigo me enganando ao dizer que sou suficiente para o que preciso.


22 abril, 2015

Flores ao delegado

escrevo enquanto ainda estou entorpecida com meus pensamentos.
pensamentos tão conflitantes.
escrevo enquanto a razão ainda não tomou conta de mim e me fez reprimir qualquer pensamento que não seja "isso não vai dar certo".
isso talvez nem exista. muito menos terá possibilidade de dar certo.
algumas mensagens no celular são ditas em vão, sem cuidado, por impulso.
como dar veracidade a isso?
lembro de quando tinha 16 anos. eu tinha paixonite por um garoto. achava que ele nem ligava para mim. 
até o dia que ele me ofereceu uma balinha de chiclete. 
aquilo foi quase a realização de um amor. aquilo foi o amor sendo correspondido. 
no meu mundo.
algum tempo depois eu vi o quanto fui banal. o quanto eu levava uma simples atitude como algo extremamente significativo. 
hoje tenho medo de estar tendo essa mesma sensação.
depois de um bom tempo suspirando internamente por alguém. 
o tal alguém resolveu demonstrar algum interesse.
mas será que o interesse é real? 
ou talvez eu esteja revivendo aquelas sensações de quando eu tinha 16 anos?
 de quando eu achava que o mundo conspirava ao meu favor.
a resposta dessa pergunta, os dias dirão.
tenho medo da resposta.
tenho medo de formular a pergunta.
tenho medo de ter medo por algo que sequer exista.
escrevo relembrando os tempos que a escrita me dava uma sensação de alívio. de calma.
escrevo por que essa é a única forma que sei de amar sem razão.

12 abril, 2015

hoje a vida me ensinou algo que, inclusive, eu ainda não compreendi perfeitamente.
só sei que é algo que levarei para o restante dos dias vindouros.
ao menos preciso.
não vou dizer que foi algo ruim, pelo contrário, mas ainda é difícil entender o lado bom.
eu vi o amor de perto. e meus pré-julgamentos me forçarem a encarar o que eu julgava não existir.
eu vi alguém amar outro ser, mesmo que ele seja frágil, comum e até mesmo diferente do que eu julgo ser o melhor.
eu vi minhas pretensões mesquinhas irem embora, foram embora na mesma intensidade que aquela luta acabava e corações eram soltados no ar, em uma direção certeira.
foi um grande aprendizado.
não. o coração não era em minha direção.
e isso me fez restaurar minha confiança nos relacionamentos. me fez entender que rosto bonito, corpo esbelto, cabelo ao vento, ou qualquer outra coisa do gênero não importa quando existe aquilo que acredito que seja amor, cumplicidade e lealdade.
lealdade com quem te espera ansiosamente.
lealdade por quem realmente se importa com você.
espero, a partir de hoje, rever as coisas de outro modo.
com os olhos de quem ama, ou quer amar, não sei.
jamais com os olhos de quem quer achar defeito nas coisas alheias, por não acreditar que certas coisas existem, mesmo que não exista pra você. 
um dia virá.
eu ainda creio.
ao menos em dias como hoje.

18 março, 2015